Velozes e Furiosos no Espaço: Chefe da Universal se Arrepende e Sinaliza Retorno às Origens
A saga Velozes e Furiosos nunca teve medo de pisar fundo no acelerador do absurdo. Ao longo de mais de duas décadas, vimos carros pulando de prédios, desafiando submarinos e saltando de aviões. Mas em Velozes e Furiosos 9, a franquia cruzou a fronteira final: o espaço. A imagem de Roman (Tyrese Gibson) e Tej (Ludacris) em um Pontiac Fiero adaptado com foguetes se tornou o símbolo máximo do quão longe a saga se distanciou de suas origens nas corridas de rua. Agora, em um raro momento de autocrítica em Hollywood, a chefe da Universal Pictures, Donna Langley, admitiu que talvez eles tenham ido longe demais.
Em uma entrevista reveladora ao The Hollywood Reporter, Langley refletiu sobre a trajetória da franquia e, ao ser questionada sobre o momento em que a saga “pulou o tubarão” (termo usado para descrever quando uma série vai longe demais e perde a credibilidade), ela não hesitou. “O espaço”, respondeu ela. “Eu fiquei tipo, ‘Sério?’. E eles, ‘Sim!’. E eu, ‘Ok'”. Embora a decisão tenha sido aprovada na época, a admissão de arrependimento da executiva mais poderosa do estúdio é um sinal claro de que a era da escalada infinita de absurdos pode estar chegando ao fim.

O Ponto de Inflexão: Por Que o Espaço Foi Longe Demais?
A ida ao espaço em F9 foi, para muitos fãs, o momento em que a suspensão de descrença, já esticada ao limite, finalmente se rompeu. Por mais fantásticas que as acrobacias anteriores fossem, elas ainda estavam (muito vagamente) ancoradas na física terrestre. A viagem espacial, no entanto, transformou a franquia de um filme de ação exagerado em uma paródia de si mesma. Tornou-se um meme, um ponto de piada que ofuscou a própria narrativa do filme.
O problema não foi a execução da cena em si, mas o que ela representava. A saga, que começou com a história de uma família de corredores de rua e ladrões de DVD players, havia se tornado tão grande e tão dependente de superar o espetáculo anterior que a única direção a seguir era para cima – literalmente. A declaração de Donna Langley reconhece que, ao buscar o “maior e mais barulhento”, a franquia correu o risco de perder sua alma, o coração que a tornou um fenômeno global em primeiro lugar: a família e os carros.

Um Retorno às Origens Para o Final da Saga
O arrependimento de Langley não é apenas uma reflexão sobre o passado; é um forte indicativo sobre o futuro. Com o próximo filme, provisoriamente intitulado Velozes e Furiosos 11, sendo anunciado como o capítulo final da saga principal de Dom Toretto, a admissão de que o espaço foi um erro sugere uma correção de curso. O plano, ao que tudo indica, é trazer a franquia de volta à Terra, tanto literal quanto figurativamente.
Podemos esperar que o último filme seja mais pé no chão, focando novamente nas corridas de rua, na cultura automobilística e, acima de tudo, no drama familiar que sempre foi o núcleo da história. A ideia de “uma última corrida” nunca foi tão apropriada. Em vez de tentar superar a viagem espacial (o que seria praticamente impossível sem se tornar uma ficção científica completa), a saga tem a oportunidade de fechar o círculo, retornando às ruas de Los Angeles onde tudo começou.

Isso não significa que o filme será pequeno. A escala ainda será de um blockbuster, mas o foco provavelmente mudará do “o quê” (a acrobacia impossível) para o “porquê” (a motivação dos personagens). Será a chance de dar a Dom, Brian (através de homenagens), Letty, Roman, Tej e o resto da família um final significativo e emocionalmente ressonante, em vez de apenas mais um espetáculo vazio.
A autocrítica de Donna Langley é uma lufada de ar fresco. Ela mostra que o estúdio está ouvindo os fãs e entende que, para que o final da saga Velozes e Furiosos funcione, ele precisa ser sobre carros, asfalto e, o mais importante de tudo, família. A jornada ao espaço foi uma aventura divertida e memorável, mas agora é hora de voltar para casa.
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