Screamboat 2: A Onda de Terror com Personagens em Domínio Público Veio para Ficar
No cenário em constante mudança de Hollywood, onde a propriedade intelectual é rei, uma nova e anárquica fronteira se abriu, e ela está coberta de sangue. A era do domínio público chegou, e com ela, uma onda de cineastas independentes e ousados que estão pegando os ícones mais doces e inocentes de nossa infância e os transformando em monstros de nossos piores pesadelos. O primeiro a chutar essa porta foi o Ursinho Pooh, com o inesperado sucesso de Ursinho Pooh: Sangue e Mel. Mas o verdadeiro teste de fogo para este novo subgênero de terror sempre seria a chegada do personagem mais protegido e icônico de todos: Mickey Mouse.

Com a versão de 1928 do personagem, apresentada no curta Steamboat Willie, entrando em domínio público, a corrida começou. E o primeiro a cruzar a linha de chegada com um conceito totalmente formado foi Screamboat, um filme de terror que promete transformar o alegre ratinho em um assassino sádico a bordo de um navio a vapor. E agora, em uma demonstração de confiança que beira a arrogância ou a genialidade, foi anunciado que Screamboat 2 já recebeu luz verde, antes mesmo da estreia do primeiro filme.
Este anúncio não é apenas sobre um filme. É uma declaração. É a confirmação de que o “Universo do Terror em Domínio Público” (ou, como alguns estão chamando, o “Twisted Childhood Universe”) não é uma moda passageira, mas um modelo de negócios viável e, aparentemente, muito lucrativo.

A decisão de aprovar uma sequência antes de ver os resultados do primeiro filme mostra que os produtores não estão apostando no sucesso de um único filme, mas na força de um conceito: a profanação da nostalgia. Eles estão apostando que a nossa curiosidade mórbida de ver os símbolos de nossa inocência serem desconstruídos e transformados em terror é uma fonte de entretenimento que está longe de se esgotar. Vamos mergulhar fundo no que a confirmação de Screamboat 2 significa, por que esse subgênero está explodindo e o que podemos esperar desta nova e sangrenta era do cinema de terror.
O Fenômeno do “Terror Nostálgico”
O sucesso de filmes como Ursinho Pooh: Sangue e Mel e a imensa antecipação por Screamboat não são acidentes. Eles exploram uma veia psicológica poderosa.

- O Apelo da Subversão: Há um prazer inerente em ver as regras serem quebradas. Personagens como Mickey Mouse e o Ursinho Pooh foram cuidadosamente curados por décadas para representar bondade, amizade e inocência. Vê-los transformados em assassinos brutais é chocante, transgressor e, para muitos, irresistivelmente divertido. É o equivalente cinematográfico de desenhar um bigode na Mona Lisa. É irreverente, um pouco infantil, mas inegavelmente cativante.
- Marketing Viral Embutido: O conceito desses filmes é o seu próprio marketing. A frase “filme de terror do Mickey Mouse” gera uma quantidade de cliques, compartilhamentos e discussões que estúdios com orçamentos de marketing milionários lutariam para alcançar. A controvérsia e a curiosidade são os motores deste subgênero. Cada artigo de notícia, cada post de rede social chocado, cada vídeo de reação contribui para a publicidade gratuita. Os produtores de Screamboat sabem que, independentemente da qualidade do filme, milhões de pessoas assistirão por pura curiosidade.
- A Economia do Domínio Público: Do ponto de vista financeiro, o modelo é brilhante. Não há taxas de licenciamento a serem pagas. Os cineastas podem usar o nome e a imagem do personagem (em sua versão específica de domínio público) sem dever um centavo à Disney ou a qualquer outro conglomerado. Isso permite que filmes com orçamentos relativamente baixos sejam feitos, o que significa que eles não precisam ser blockbusters para serem extremamente lucrativos. Ursinho Pooh: Sangue e Mel foi feito com menos de US$ 100.000 e arrecadou mais de US$ 5 milhões. É um retorno sobre o investimento que faria qualquer executivo de estúdio chorar de inveja.
O que a Confirmação de “Screamboat 2” nos Diz?
Aprovar uma sequência tão cedo é uma jogada de xadrez estratégica.
- Construindo uma Franquia, Não Apenas um Filme: A mensagem é clara: eles não estão pensando em Screamboat como um filme único, mas como o início de uma franquia. Assim como o universo de Invocação do Mal ou o MCU, eles estão planejando um mundo interconectado de horror infantil. O sucesso de Poohniverse: Monsters Assemble, que unirá Pooh, Bambi, Pinóquio e outros, mostra que a ambição é criar um “Vingadores” do terror de domínio público. Screamboat 2 solidifica o Mickey do mal como um dos pilares dessa nova franquia.
- Confiança no Produto (e no Conceito): Os produtores provavelmente já viram um corte inicial de Screamboat e estão confiantes de que entregaram o que o público quer: um filme de terror slasher divertido, sangrento e que explora bem a premissa. Mas, mais importante, eles estão confiantes no conceito. Eles sabem que, mesmo que o primeiro filme receba críticas negativas, o público ainda estará curioso para ver o que eles farão a seguir.
- Ocupando o Espaço: Ao anunciar a sequência agora, eles estão marcando seu território. Outros cineastas também estão desenvolvendo seus próprios projetos de terror com o Mickey de Steamboat Willie. Ao anunciar Screamboat 2, os produtores estão se posicionando como a “franquia oficial” do Mickey do mal, tentando ofuscar a concorrência antes mesmo que ela chegue ao mercado.
O que Esperar de “Screamboat 2”?
Com o primeiro filme ainda por ser lançado, especular sobre a sequência é um exercício de imaginação, mas podemos fazer algumas suposições com base no modelo deste subgênero.

- Mais Sangue, Mais Vítimas, Mais Mickey: As sequências de filmes de terror slasher quase sempre seguem a regra do “maior e mais”. Podemos esperar que Screamboat 2 aumente a contagem de corpos, a criatividade das mortes e o tempo de tela do Mickey assassino. Se o primeiro filme se passa inteiramente em um navio, a sequência pode levar o terror para a terra firme, talvez em uma ilha isolada ou em uma cidade portuária aterrorizada pela chegada do navio amaldiçoado.
- A Introdução de Outros Personagens: A grande questão é: quais outros personagens da era de 1928 podem aparecer? A versão de Minnie Mouse da mesma época também está em domínio público. Screamboat 2 poderia introduzi-la, não como uma donzela em perigo, mas talvez como uma parceira no crime, uma “Harley Quinn” para o “Coringa” de Mickey. A introdução de uma Minnie igualmente sádica seria a progressão natural e chocante para a franquia.
- Explorando a “Mitologia”: Enquanto o primeiro filme provavelmente será um slasher direto, a sequência pode tentar construir uma mitologia em torno do Mickey do mal. Por que ele é assim? Ele é um demônio que possuiu o corpo do personagem? Uma experiência que deu errado? Uma alegoria sobre a corrupção da inocência corporativa? Embora a simplicidade seja parte do apelo, as franquias de terror bem-sucedidas geralmente desenvolvem uma história de fundo para seus vilões. Screamboat 2 pode ser o lugar onde começamos a obter respostas.
O Futuro é Sombrio (e Cheio de Personagens de Desenho Animado)
A caixa de Pandora foi aberta, e não há como fechá-la. A cada ano, mais e mais personagens icônicos entrarão em domínio público. Superman (em sua primeira versão), Popeye, King Kong e muitos outros estão a caminho. O “Twisted Childhood Universe” tem um suprimento quase infinito de novas propriedades intelectuais para corromper.
- A Reação da Disney: A Disney, é claro, está observando tudo isso com atenção. Embora eles não possam impedir o uso da versão de 1928 de Mickey, eles protegerão ferozmente suas versões posteriores e mais conhecidas. A empresa tem sido proativa, lançando seu próprio curta de terror com o Mickey (dentro do universo de Os Simpsons) e, sem dúvida, continuará a reforçar sua marca para garantir que o público associe o “verdadeiro” Mickey à alegria e à magia. A existência de Screamboat força a Disney a se engajar em uma batalha cultural pela alma de seu personagem mais valioso.
- Qualidade vs. Quantidade: O maior risco para este subgênero é a saturação e a queda de qualidade. O apelo da novidade pode se desgastar rapidamente se os filmes forem apenas produções baratas e mal feitas que dependem apenas de seu conceito chocante. Para que o “Twisted Childhood Universe” tenha longevidade, ele precisará começar a produzir filmes que sejam genuinamente bons, com roteiros inteligentes, direção competente e sustos eficazes. A confirmação de Screamboat 2 é uma aposta de que eles podem fazer exatamente isso.
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