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A Bela e a Fera de Guillermo del Toro: O Filme que Nunca Vimos e o Arrependimento do Diretor

A Bela e a Fera

A Bela e a Fera de Guillermo del Toro: O Filme que Nunca Vimos e o Arrependimento do Diretor

No panteão dos grandes “filmes que nunca foram feitos”, poucos doem tanto quanto a visão de Guillermo del Toro para A Bela e a Fera. O mestre do macabro e do romance gótico, que nos deu obras como O Labirinto do Fauno e A Forma da Água, esteve muito perto de dirigir sua própria versão do conto de fadas clássico, um projeto que prometia ser sombrio, complexo e visualmente deslumbrante. Recentemente, o diretor compartilhou detalhes sobre sua abordagem e seu elenco dos sonhos, revelando um arrependimento que ecoa como um lembrete da obra-prima que o mundo perdeu.

image-283 A Bela e a Fera de Guillermo del Toro: O Filme que Nunca Vimos e o Arrependimento do Diretor

A versão de del Toro, que ele desenvolveu por anos antes de eventualmente passar o bastão para a Disney (resultando no live-action de 2017), não seria um musical açucarado. Fiel ao seu estilo, ele planejava mergulhar nas raízes mais sombrias e adultas do conto original de Jeanne-Marie Leprince de Beaumont. Sua história seria menos sobre uma maldição mágica e mais sobre a natureza da monstruosidade, o preconceito e a capacidade do amor de florescer nos lugares mais inesperados. A Fera não seria um príncipe esperando para ser salvo, mas uma criatura genuinamente monstruosa, e Bela não seria uma donzela, mas uma mulher forte e curiosa, fascinada pela escuridão.

image-286-1024x685 A Bela e a Fera de Guillermo del Toro: O Filme que Nunca Vimos e o Arrependimento do Diretor

Um Elenco Inusitado e um Arrependimento Chamado Channing Tatum

A visão de del Toro se estendia ao seu elenco dos sonhos, que já estava praticamente definido. Emma Watson, que acabou estrelando a versão da Disney, era sua escolha original e definitiva para Bela. Del Toro via nela a inteligência, a força e a empatia necessárias para dar vida a uma Bela que não temia a Fera, mas que se sentia intrigada por ela.

A escolha para a Fera, no entanto, era muito mais surpreendente e revela a genialidade do diretor em ver além do óbvio. Ele não queria um ator classicamente bonito para se esconder sob a maquiagem, mas alguém que pudesse trazer uma fisicalidade e uma vulnerabilidade específicas. Seu maior arrependimento, como ele mesmo confessou, foi não ter conseguido escalar Channing Tatum para o papel de Gaston.

image-284-1024x534 A Bela e a Fera de Guillermo del Toro: O Filme que Nunca Vimos e o Arrependimento do Diretor

À primeira vista, a escolha parece estranha, mas faz todo o sentido na visão de del Toro. Ele não via Gaston como o vilão cômico e bufão da animação da Disney. Em sua versão, Gaston seria a verdadeira “Besta” da história: um homem fisicamente perfeito, celebrado por sua beleza e força, mas monstruoso por dentro, consumido pela arrogância, crueldade e misoginia. Channing Tatum, com seu carisma e físico imponente, poderia ter interpretado essa dualidade de forma brilhante, sendo o “príncipe encantado” que a sociedade adora, mas que esconde uma alma podre. A Fera de del Toro, por outro lado, seria o oposto: monstruosa por fora, mas com uma alma poética e sensível por dentro. O filme seria um estudo sobre como a verdadeira monstruosidade muitas vezes se esconde atrás de uma bela fachada.

A Obra-Prima Gótica que Perdemos

A versão de A Bela e a Fera de Guillermo del Toro seria uma experiência cinematográfica completamente diferente. Podemos imaginar um design de produção gótico e opulento, com um castelo que é tanto uma prisão quanto um santuário, cheio de criaturas fantásticas e melancólicas criadas pela mente do diretor. A Fera, provavelmente criada com uma mistura de efeitos práticos e CGI, seria uma criatura aterrorizante, mas com olhos que expressariam uma profunda tristeza, no estilo do Fauno ou do Homem Anfíbio.

image-285-1024x428 A Bela e a Fera de Guillermo del Toro: O Filme que Nunca Vimos e o Arrependimento do Diretor

A história exploraria temas adultos, como a solidão, o isolamento e a natureza do amor sacrificial. Seria um romance de monstros no sentido mais puro, uma especialidade de del Toro. A decisão de não seguir em frente com o projeto e entregá-lo à Disney foi, segundo o próprio diretor, uma das mais difíceis de sua carreira. Ele permaneceu como produtor na versão de 2017, mas sua visão original, mais sombria e complexa, ficou para trás.

Ouvir Guillermo del Toro falar sobre seu Frankenstein e sua A Bela e a Fera é ter um vislumbre de um universo cinematográfico de monstros incompreendidos e romances impossíveis que só existe em sua mente. Embora tenhamos recebido um filme competente da Disney, é impossível não lamentar a obra de arte gótica, o estudo de personagem profundo e a performance surpreendente de Channing Tatum que nunca tivemos a chance de ver. A versão de del Toro permanece como um dos mais belos “e se?” da história do cinema.

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Apaixonado por filmes, séries e cultura pop. No Telinha e Telona, compartilho análises, curiosidades e novidades do mundo do entretenimento de forma leve e descontraída.

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