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Duro de Matar: O filme de Natal definitivo ou apenas um surto coletivo?

Duro de Matar

Duro de Matar: O filme de Natal definitivo ou apenas um surto coletivo?

Fala, galera do Telinha e Telona! Já tiraram o pisca-pisca da caixa ou ainda estão desenrolando os fios do ano passado? Pois é, chegou aquela época mágica do ano. Tem uva passa no arroz (infelizmente), tem tio do pavê e, claro, tem a maior guerra civil da cultura pop que se repete religiosamente todo mês de dezembro. Não, não estou falando de Marvel vs DC. Estou falando da pergunta que destrói amizades e separa famílias na ceia: afinal, Duro de Matar é ou não é um filme de Natal?

Se você é daqueles que acha que filme natalino precisa ter duende verde e lição de moral fofinha, prepare-se para ter seus conceitos explodidos — literalmente. Hoje, vamos mergulhar fundo nessa toca do coelho (ou seria chaminé do Papai Noel?) para analisar os fatos, as teorias da conspiração e o que os próprios criadores dessa obra-prima têm a dizer.

O Argumento Clássico: Por que John McClane é o Papai Noel da Ação?

Vamos começar pelo básico, aquilo que todo fã de carteirinha já usa como escudo nas discussões de bar. A base da defesa de que Duro de Matar pertence à maratona natalina está, primariamente, na sua ambientação. Não é apenas um “filme de ação que acontece em dezembro”. O Natal é o motor da trama.

image-554-1024x576 Duro de Matar: O filme de Natal definitivo ou apenas um surto coletivo?

Pense comigo: por que John McClane está em Los Angeles? Ele não foi lá para curtir o sol da Califórnia ou comer tacos. Ele atravessou o país para uma festa de Natal da empresa, numa tentativa desesperada de reconciliação com a esposa, Holly (cujo nome, aliás, significa “Azevinho”, uma planta símbolo do… adivinhem? Natal!). O plot inteiro de Duro de Matar gira em torno da união familiar, um tema tão natalino quanto o especial do Roberto Carlos.

Além disso, temos a questão tática. O vilão Hans Gruber — um dos antagonistas mais elegantes e inteligentes da história do cinema — escolhe especificamente a véspera de Natal para o assalto. Por quê? Porque o prédio estaria vazio, o trânsito estaria focado nas compras de última hora e a segurança estaria relaxada. Sem o feriado, o plano de Gruber não existe. O Natal não é um cenário de fundo; é um personagem coadjuvante essencial.

E, claro, não podemos esquecer da estética. Temos árvores de Natal, gorros de Papai Noel e a icônica frase escrita no moletom de um terrorista morto: “Now I have a machine gun. Ho-Ho-Ho”. Se isso não é espírito natalino, eu não sei mais o que é.

A Ciência do Roteiro: O Checklist de Steven E. de Souza

Agora, vamos elevar o nível da conversa. Enquanto o conteúdo que rola por aí (como o vídeo do Ei Nerd que serviu de base para nossa análise inicial) foca muito no óbvio, nossa pesquisa no Telinha e Telona foi atrás dos “dados oficiais”.

image-556 Duro de Matar: O filme de Natal definitivo ou apenas um surto coletivo?

Você sabia que existe um gráfico comparativo feito pelo próprio roteirista do filme? Steven E. de Souza, cansado de ouvir gente reclamando que Duro de Matar não é filme de Natal, criou um checklist comparando sua obra com o clássico absoluto White Christmas (Natal Branco), de 1954. E o resultado é humilhante para o musical antigo.

Segundo De Souza, vamos aos pontos:

  • A Festa de Natal: Em White Christmas, a festa só acontece na cena final. Em Duro de Matar, o filme inteiro é, tecnicamente, uma festa de Natal que deu muito errado.
  • Músicas Natalinas: O clássico de 1954 tem apenas duas canções temáticas tocadas na íntegra. Já a aventura de Bruce Willis toca quatro, incluindo os clássicos Let It Snow, Winter Wonderland e a inesquecível Christmas in Hollis do Run-D.M.C.
  • Sacrifício Pessoal: Nos filmes de Natal, alguém sempre faz um sacrifício. Em White Christmas, o personagem dá sua passagem de trem para o amigo. Bonito? Sim. Mas em Duro de Matar, John McClane corre descalço sobre cacos de vidro para salvar reféns. Ponto para o policial de Nova York.

O roteirista praticamente encerrou a discussão com lógica pura. Se filmes melosos que só têm neve no final contam, por que o nosso blockbuster favorito ficaria de fora?

A Visão do Diretor: McTiernan e o Capitalismo de Pottersville

Se o roteirista diz que é, quem somos nós para discordar? Bem, talvez o diretor tenha algo a dizer. John McTiernan, o gênio por trás da câmera, demorou, mas finalmente se pronunciou sobre o assunto em uma entrevista para o American Film Institute. E a visão dele é ainda mais profunda e filosófica.

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McTiernan explicou que, embora eles não tenham planejado fazer um filme de Natal durante as filmagens, a obra se transformou nisso pela alegria que ela emana. Ele compara a trama de Duro de Matar com A Felicidade Não se Compra (It’s a Wonderful Life). Segundo o diretor, o Nakatomi Plaza cheio de executivos gananciosos e terroristas focados em dinheiro representa “Pottersville” — a versão corrompida e capitalista da cidade.

John McClane chega como o elemento de ruptura, o homem comum, o trabalhador que desafia a “autoridade severa” e traz justiça. McTiernan revelou até um segredo visual: ele usou lentes especiais para criar aqueles flares (brilhos de luz) anamórficos horizontais sempre que havia luzes em cena. A intenção? Fazer com que todas as luzes do filme lembrassem enfeites de árvore de Natal brilhando. Cada tiro, cada explosão, cada reflexo no vidro foi desenhado para ser subliminarmente natalino.

O Grinch da História: A Polêmica de Bruce Willis

Mas nem tudo são flores (ou azevinhos) nessa discussão. Temos um elefante na sala, e o nome dele é Bruce Willis. Durante o famoso Roast of Bruce Willis (um programa de comédia onde o homenageado é “zoado” por amigos) em 2018, o ator subiu ao palco para o discurso final e soltou a bomba que abalou a internet.

Com o microfone na mão e aquela cara de poucos amigos que a gente ama, ele declarou: “Die Hard is not a Christmas movie! It’s a goddamn Bruce Willis movie!” (“Duro de Matar não é um filme de Natal! É a p**** de um filme do Bruce Willis!”).

A plateia foi à loucura, e os puristas anti-Natal usaram isso como argumento definitivo por anos. Mas aqui no Telinha e Telona, nós ousamos discordar do próprio McClane. Vamos ser honestos: era um programa de comédia. Ele estava lá para fazer piada, para ser o “durão” contrariando a cultura pop. A declaração de Willis soa muito mais como uma provocação de personagem do que uma análise cinematográfica séria. Desculpe, Bruce, mas a obra, depois de lançada, pertence ao público. E o público já decidiu que quer ver você sangrando no duto de ventilação enquanto come peru de Natal.

A Importância Cultural: Por que insistimos nisso?

A verdade é que classificar Duro de Matar como filme de Natal é um ato de rebeldia geek. É a nossa forma de dizer que o espírito natalino não precisa ser só sobre abraços quentinhos e milagres mágicos. Às vezes, o milagre é sobreviver a uma queda do topo de um prédio amarrado numa mangueira de incêndio.

Existe um conforto na repetição. Assistimos Esqueceram de Mim (que, aliás, tem a mesma premissa: alguém sozinho defendendo um local de bandidos no Natal) pelo conforto da nostalgia. Com Duro de Matar, é a mesma coisa. Nós sabemos as falas, sabemos quando o vilão vai cair, sabemos que o sargento Al Powell vai superar seu trauma e atirar no final. É um ritual.

E vamos combinar: a trilha sonora ajuda muito. O filme começa e termina com música natalina. Os créditos sobem ao som de Let It Snow. É impossível sair da sessão sem sentir aquele clima de festas — misturado com uma dose saudável de adrenalina.

5 Provas Irrefutáveis para Jogar na Cara do seu Primo Chato

Para facilitar sua vida na ceia deste ano, preparamos uma lista rápida. Quando alguém disser “ah, mas é filme de tiro”, você responde com:

  1. A Fita de Embrulho: No clímax do filme, McClane esconde sua pistola nas costas usando o quê? Uma fita adesiva de embrulho de presente de Natal prateada. Ele literalmente “entrega” a morte ao vilão como um presente. Poesia pura.
  2. Os Bonecos de Neve: A polícia de LA é chamada de “estúpida” o filme todo, mas o sargento Al Powell está cantarolando músicas de Natal e comprando bolinhos para a esposa grávida. O arco dele é puro “milagre de Natal”.
  3. O Papel de Holly: A esposa não é uma donzela em perigo qualquer. Ela assume o comando dos reféns, protege os funcionários e confronta Hans. O reencontro dela com John no final, ao som de sinos tocando, é a definição de “o amor vence tudo”.
  4. A Sequência: Se o primeiro não fosse filme de Natal, por que diabos Duro de Matar 2 se passaria… também na véspera de Natal, num aeroporto coberto de neve? A franquia abraçou a data com força.
  5. A Regata: A transformação da regata branca de John McClane, que termina o filme marrom de sujeira e sangue, é basicamente a versão action do Papai Noel descendo pela chaminé suja de fuligem. (Ok, essa eu forcei, mas vocês entenderam).

Conclusão: Yippee-Ki-Yay!

No fim das contas, Duro de Matar encapsula o verdadeiro significado do Natal moderno: estresse, caos, gente que você não gosta querendo seu dinheiro, viagens complicadas, mas, no final, a esperança de que tudo vai acabar bem e você vai conseguir abraçar quem ama.

Seja você do time do roteirista Steven de Souza ou do time do Bruce Willis ranzinza, uma coisa é inegável: a jornada de John McClane mudou a história do cinema de ação e garantiu seu lugar ao lado do Peru e do Panetone. Então, neste dezembro, faça um favor a si mesmo. Ignore as comédias românticas clichês por duas horas, coloque Duro de Matar na TV e celebre o feriado do jeito mais badass possível.

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Apaixonado por filmes, séries e cultura pop. No Telinha e Telona, compartilho análises, curiosidades e novidades do mundo do entretenimento de forma leve e descontraída.

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