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Natal Sangrento: O Papai Noel assassino voltou mais cruel (e pop) do que nunca?

Natal Sangrento

Natal Sangrento: O Papai Noel assassino voltou mais cruel (e pop) do que nunca?

Esqueça as comédias românticas água com açúcar da Netflix e guarde o especial do Roberto Carlos na gaveta. Se você, assim como nós aqui do Telinha e Telona, prefere que o seu “Jingle Bells” venha acompanhado de gritos e o vermelho da roupa do Papai Noel seja, na verdade, uma mistura de viscose com sangue arterial, chegou o seu momento. Estamos falando de Natal Sangrento (2025), a nova aposta da Diamond Films para traumatizar uma nova geração e fazer você olhar torto para aquele bom velhinho do shopping.

 Natal Sangrento: O Papai Noel assassino voltou mais cruel (e pop) do que nunca?

Mas será que esse revival do clássico proibido dos anos 80 consegue se sustentar no meio de uma enxurrada de slashers modernos como Terrifier? Já adiantamos: prepare o estômago e a pipoca (nessa ordem), porque o saco de presentes do Billy Chapman está cheio de surpresas — e vísceras.

O Retorno do Trauma: De 1984 para 2025

Para quem não manja da história (ou não era nascido quando a polêmica estourou), o Natal Sangrento original (Silent Night, Deadly Night, de 1984) foi um marco. Não por ser uma obra-prima cinematográfica, mas por ter deixado pais e mães de cabelo em pé ao colocar um assassino vestido de Papai Noel na tela grande. O filme foi tão massacrado pela opinião pública conservadora que acabou sendo retirado dos cinemas na época. Corta para 2025, e o diretor Mike P. Nelson (o mesmo do reboot de Pânico na Floresta) decide que é hora de Billy Chapman brilhar novamente.

A premissa básica de Natal Sangrento se mantém fiel ao espírito da franquia: Billy (agora vivido pelo intenso Rohan Campbell) testemunha o brutal assassinato de seus pais na véspera de Natal quando criança. O trauma, somado a uma criação abusiva em um orfanato liderado por freiras que fariam a Valak parecer uma noviça rebelde, cria um adulto instável. Quando o Natal chega, o gatilho é disparado, e Billy decide que é hora de “punir” quem não se comportou.

O grande trunfo desta versão de 2025 é que ela não tenta apenas refilmar cena a cena. O roteiro tenta dar uma profundidade nova ao trauma de Billy, quase flertando com a ideia de um anti-herói estilo Venom ou Justiceiro, mas sem superpoderes — apenas um machado muito bem afiado e uma vontade incontrolável de fazer justiça com as próprias mãos.

Slasher Raiz ou Filme de Herói Disfarçado?

Aqui entra o ponto que vai dividir os fãs mais puristas. Enquanto o Natal Sangrento original era um exercício de exploração barata (e deliciosa) da violência, o novo filme tenta injetar uma dose de “propósito” na matança. Billy não sai apenas retalhando qualquer um que cruza seu caminho. Ele tem um código. Ele vê o “mal” nas pessoas.

Essa abordagem moderna transforma o nosso serial killer natalino em uma espécie de vigilante torturado. É uma escolha arriscada de Mike P. Nelson. Por um lado, dá uma camada extra de interesse para a narrativa — você se pega, em alguns momentos bizarros, torcendo pelo Billy. Por outro, pode tirar um pouco daquela aura de terror imprevisível que define um bom slasher.

No entanto, não se engane: quando a ação começa, Natal Sangrento não economiza. O filme entende que seu público quer ver mortes criativas envolvendo luzes pisca-pisca, enfeites de árvore e, claro, chaminés. A fisicalidade de Rohan Campbell impressiona; ele consegue transmitir uma fúria contida que explode em violência gráfica de uma forma que honra o legado do gênero.

O Fator Gore: É Sangue de Verdade ou Groselha Digital?

Se tem uma coisa que o fã do Omelete preza, é a qualidade dos efeitos práticos. E aqui, Natal Sangrento marca muitos pontos. Em uma era onde o CGI muitas vezes deixa o sangue com cara de videogame de PS3, a produção optou por encharcar o set de filmagem com litros de sangue cenográfico real.

As mortes são viscerais. Há uma cena envolvendo uma guirlanda e um triturador de madeira que, sinceramente, vai fazer você pensar duas vezes antes de decorar a casa ano que vem. O diretor Mike P. Nelson, vindo da escola de V/H/S, sabe como filmar o horror corporal de um jeito que incomoda e diverte na mesma medida.

Entretanto, o filme peca em alguns momentos pelo excesso de estilização. Algumas sequências de alucinação de Billy, onde ele “vê” os pecados de suas vítimas, abusam de filtros e edições rápidas que lembram videoclipes de metal industrial dos anos 2000. Funciona para a proposta alucinógena, mas às vezes tira o pé do realismo sujo que o filme constrói tão bem.

Um Elenco que Compra a Loucura

Além de Campbell, que carrega o filme nas costas (e no machado), o destaque vai para Ruby Modine. Ela interpreta Pamela, a figura que serve como âncora moral e, inevitavelmente, alvo da obsessão/caçada de Billy. A dinâmica entre os dois foge do clichê da “final girl” que apenas corre e grita. Há um jogo de gato e rato interessante, onde Pamela tenta entender a mente quebrada de Billy antes de (tentar) sobreviver a ela.

 Natal Sangrento: O Papai Noel assassino voltou mais cruel (e pop) do que nunca?

O elenco de apoio cumpre bem o papel de “carne para o abate”, com personagens estereotipados que você mal pode esperar para ver encontrando o fim de uma lâmina. É aquele clássico do terror: o babaca, a garota fútil, o policial cético. Natal Sangrento sabe que são clichês e se diverte com eles, entregando mortes ironicamente adequadas para cada pecado cometido.

A Mitologia Expandida e o Futuro da Franquia

Uma das coisas mais interessantes que descobrimos ao pesquisar mais sobre a produção deste Natal Sangrento é a intenção clara de criar um universo expandido. O filme planta sementes sobre a origem da loucura de Billy que podem ser exploradas em sequências.

 Natal Sangrento: O Papai Noel assassino voltou mais cruel (e pop) do que nunca?

Diferente da franquia original, que descarrilou para sequências bizarras (quem lembra do Billy ciborgue ou das tramas desconexas?), a visão de 2025 parece mais coesa. Há referências visuais claras aos quadrinhos de terror da EC Comics, com uma paleta de cores que abusa do verde e vermelho neon, criando uma atmosfera que é, ao mesmo tempo, festiva e infernal.

Outro ponto curioso é a trilha sonora. Fugindo dos sintetizadores óbvios à la John Carpenter (embora eles estejam lá), o filme incorpora clássicos natalinos distorcidos e heavy metal, criando uma cacofonia que reflete o estado mental do protagonista. É barulhento, é agressivo e combina perfeitamente com a proposta.

Por que Amamos o Terror Natalino?

Você pode se perguntar: por que diabos gostamos de ver sangue no Natal? A resposta, meu caro leitor geek, está no contraste. O Natal é a época da paz, do amor e da união familiar forçada. O terror, especificamente filmes como Natal Sangrento, vem para subverter essa ordem. É a catarse perfeita para o estresse de fim de ano.

Ver o Billy Chapman destruir a sacralidade do feriado funciona como uma válvula de escape. É o mesmo motivo pelo qual Gremlins e Krampus são tão amados. O horror nos lembra que, mesmo nas noites mais “sagradas”, o escuro lá fora ainda existe. E em 2025, esse escuro tem nome, sobrenome e veste um gorro vermelho.

Veredito Telinha e Telona

Natal Sangrento (2025) não vai ganhar o Oscar de Melhor Roteiro, e nem deveria. Ele se propõe a ser um entretenimento brutal, direto e nostálgico. Mike P. Nelson entrega um remake que respeita a aura trash do original, mas eleva o nível técnico e de atuação.

Se você espera um terror psicológico cabeça, tipo A Bruxa, passe longe. Mas se você quer ver um Papai Noel bombado e traumatizado descendo a lenha (literalmente) em gente chata, esse é o seu presente de Natal antecipado.

Pontos altos:

  • Rohan Campbell convence como um psicopata trágico.
  • Efeitos práticos de gore de primeira linha.
  • A atmosfera “neon-pesadelo”.

Pontos baixos:

  • O roteiro tenta “heroificar” o vilão um pouco demais às vezes.
  • O ritmo cai um pouco no segundo ato.

No fim das contas, Natal Sangrento é a pedida certa para reunir a galera que odeia uva-passa no arroz e ama um bom susto. É divertido, é sangrento e, acima de tudo, é um lembrete de que, se você não for bonzinho, o Papai Noel pode trazer algo bem pior do que carvão.


Curiosidades que Encontramos na Web (Bônus Stage)

Para enriquecer ainda mais sua experiência antes de ir ao cinema, fomos atrás de alguns “Easter Eggs” e dados de bastidores sobre Natal Sangrento:

  1. Homenagem ao Original: Fique atento a uma cena específica na loja de brinquedos. Há um boneco ao fundo que veste exatamente o mesmo traje usado pelo assassino no filme de 1984. O diretor confirmou em entrevistas que é o traje original restaurado.
  2. A Polêmica Continua: Assim como em 84, grupos religiosos nos EUA tentaram boicotar o lançamento de Natal Sangrento em 2025, alegando que o pôster (que mostra um machado manchado de sangue em forma de bengala doce) é “ofensivo”. A polêmica, claro, só ajudou a vender mais ingressos na pré-estreia.
  3. Conexão com Terrifier? Rumores em fóruns como o Reddit indicam que os produtores de Natal Sangrento e Terrifier conversaram sobre um possível crossover no futuro. Já imaginou Billy Chapman vs. Art, o Palhaço? O multiverso da loucura que a gente realmente quer ver!
  4. Cenas Deletadas: O corte original do diretor tinha 15 minutos a mais de violência explícita, que tiveram que ser removidos para evitar a classificação NC-17 (proibido para menores de 17 anos nos EUA). A promessa é que a versão Unrated saia em Blu-Ray e streaming logo após a temporada festiva.

Então, nerd, já sabe: prepare o estômago, chame os amigos e corra para o cinema. E se ouvir um barulho na chaminé hoje à noite… bom, talvez seja melhor não ir verificar.

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Apaixonado por filmes, séries e cultura pop. No Telinha e Telona, compartilho análises, curiosidades e novidades do mundo do entretenimento de forma leve e descontraída.

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