Os Donos do Jogo: O Fenômeno do Jogo do Bicho que Conquistou a Netflix e Garantiu a 2ª Temporada
Quando a poeira baixa e a fumaça dos tiroteios se dissipa, uma coisa fica clara: Os Donos do Jogo não veio para brincadeira. A série brasileira, que mergulha de cabeça no universo da contravenção carioca, chegou à Netflix sem pedir licença, tomou o controle do Top 10 e, como um bicheiro ambicioso, garantiu seu território para mais uma rodada. É oficial: a saga das famílias que disputam o poder no Rio de Janeiro foi renovada para uma segunda temporada, consolidando-se como um dos maiores e mais impactantes sucessos nacionais da plataforma de streaming.

A notícia, confirmada pela própria Netflix, incendiou as redes sociais e pegou de surpresa apenas aqueles que ainda não tinham dado o play. Para quem já maratonou os oito episódios, a renovação era tão certa quanto o resultado do bicho na PTN. Com uma trama que mistura a ambição de O Poderoso Chefão com a crueza de Tropa de Elite e as intrigas familiares de um “Game of Thrones carioca”, a produção de Heitor Dhalia provou que o Brasil sabe, e muito bem, contar histórias de máfia. Vamos dissecar os motivos desse sucesso avassalador, mergulhar na história por trás do jogo e especular o que o futuro reserva para Os Donos do Jogo.
O Jogo Virou: Sucesso de Público e Renovação Confirmada
Desde sua estreia em 29 de outubro, Os Donos do Jogo dominou as conversas e o ranking da Netflix, não apenas no Brasil, mas globalmente. A série alcançou o topo entre as produções de língua não inglesa mais assistidas no mundo, acumulando impressionantes 5,9 milhões de visualizações em sua semana de lançamento. Esse desempenho meteórico foi o aval que a Netflix precisava para apostar em uma continuação, com as gravações já previstas para 2026.

O ator André Lamoglia, que vive o protagonista Profeta, celebrou a notícia: “Estou muito feliz e honrado com o carinho que a audiência teve com a primeira temporada! A gente se dedicou de verdade nesse projeto, então é incrível ver esse retorno tão positivo”. A expectativa para os próximos capítulos já é altíssima, e a promessa é de que a guerra pelo controle do Rio de Janeiro fique ainda mais intensa.
A Trama: Sangue, Família e o Império do Bicho
A série nos joga no meio de uma guerra de poder entre quatro famílias que controlam o jogo do bicho no Rio: os Moraes, os Guerra, os Fernandez e os Saad. No centro desse furacão está Jefferson Moraes, o Profeta (André Lamoglia), um jovem ambicioso do interior que chega à capital para expandir os negócios da família e provar seu valor. Ele é inteligente, carismático e impiedoso, uma combinação perigosa em um mundo onde a lealdade é comprada e a traição é punida com a morte.

A narrativa, embora seja uma obra de ficção, é fortemente inspirada na realidade da contravenção carioca. O diretor Heitor Dhalia (também de DNA do Crime) e sua equipe realizaram uma pesquisa extensa, conversando com policiais e especialistas para construir um universo verossímil. O resultado é uma “máfia tropical” que o público brasileiro reconhece, onde o poder se manifesta não apenas em tiroteios, mas também nas luxuosas quadras de escolas de samba e nos corredores da política.
Os Donos do Jogo: O Tabuleiro do Poder
- A Velha Guarda: Representada por figuras como Galego Fernandez (Chico Diaz), um patriarca que comanda seu clã com mão de ferro, simbolizando a tradição e a força bruta dos antigos bicheiros.
- A Nova Geração: Personagens como Profeta (André Lamoglia) e as irmãs Suzana (Giullia Buscacio) e Mirna Guerra (Mel Maia) representam a mudança. Eles são ambiciosos, não temem o conflito e entendem que o futuro do jogo pode estar nas apostas digitais e em novas alianças.
- As Mulheres no Poder: Em um universo predominantemente masculino, as personagens femininas se destacam como estrategistas brilhantes. Leila Fernandez (Juliana Paes), por exemplo, é uma verdadeira “jogadora de xadrez” que manipula os homens ao seu redor para alcançar seus objetivos, provando que, por trás de todo grande bicheiro, pode haver uma mulher ainda mais poderosa.
A Alma do Negócio: Uma Breve História do Jogo do Bicho
Para entender o fascínio por Os Donos do Jogo, é preciso entender a instituição que serve de pano de fundo: o Jogo do Bicho. Muito mais que uma simples aposta ilegal, ele é um fenômeno cultural profundamente enraizado na identidade carioca e brasileira.
Criado em 1892 pelo Barão João Batista Viana Drummond, o jogo nasceu como uma rifa para atrair visitantes e financiar o Jardim Zoológico de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Cada ingresso dava direito a um bilhete com a estampa de um dos 25 animais do zoológico. No final do dia, um animal era sorteado, e o portador do bilhete correspondente ganhava um prêmio em dinheiro.

O sucesso foi imediato e explosivo. A simplicidade das regras e a possibilidade de ganhar dinheiro rápido popularizaram o jogo por toda a cidade, que logo escapou ao controle de seu criador e se tornou uma contravenção penal. Essa proibição, no entanto, só fortaleceu o jogo, que se organizou em uma estrutura clandestina de “banqueiros” e “apontadores”, criando um poder paralelo que, ao longo do século XX, se infiltrou em diversas áreas da sociedade, incluindo o carnaval, o futebol e a política. Os Donos do Jogo captura com maestria essa complexa teia de influências, mostrando como os “bicheiros” se tornaram figuras temidas, respeitadas e, por vezes, amadas nas comunidades que controlavam.
Um Elenco Digno da Cúpula da Contravenção
Um dos maiores trunfos de Os Donos do Jogo é, sem dúvida, seu elenco estelar. A série reúne veteranos consagrados e jovens talentos que entregam atuações viscerais e complexas, dando vida a personagens que transitam entre a violência e a vulnerabilidade.

André Lamoglia convence como o protagonista Profeta, equilibrando a inocência de um forasteiro com a ferocidade de um predador. Ao seu lado, nomes como Juliana Paes (Leila), Chico Diaz (Galego), Mel Maia (Mirna), Giullia Buscacio (Suzana) e o cantor Xamã (Búfalo) compõem um mosaico de personalidades cativantes e perigosas. A química e o conflito entre eles são o motor da série, transformando cada diálogo em um duelo de vontades e cada aliança em um pacto frágil prestes a ser quebrado. A direção de Heitor Dhalia extrai o melhor de cada ator, criando cenas de tensão que ficam na memória do espectador.
O Que Esperar da Segunda Temporada?
Com a renovação confirmada, a grande questão que fica é: para onde a história vai agora? O final da primeira temporada deixou vários ganchos e um novo tabuleiro de poder estabelecido, com Profeta no topo. A segunda temporada deve explorar as dificuldades de se manter no poder.
Profeta agora é o rei, mas sua coroa pesa. Ele terá que lidar com as consequências de suas ações, enfrentar inimigos que juraram vingança e navegar as traiçoeiras águas da política. A iminente legalização dos jogos de azar, um tema que a série já aborda, deve se tornar um conflito central, colocando a velha guarda da contravenção contra as novas forças do mercado legal e o interesse de grupos criminosos estrangeiros. Além disso, revelações bombásticas sobre o passado de Profeta prometem abalar as estruturas familiares e criar novos e sangrentos conflitos.
Conclusão: Uma Aposta de Mestre da Netflix
Os Donos do Jogo é mais do que uma série de ação; é um retrato poderoso e estilizado de uma faceta complexa e fascinante da cultura brasileira. Com um roteiro ágil, atuações memoráveis e uma direção que não tem medo de mostrar a brutalidade e o glamour do crime, a produção se estabeleceu como um marco para o audiovisual nacional. O sucesso estrondoso e a rápida renovação provam que há um público ávido por histórias brasileiras que sejam, ao mesmo tempo, autênticas e universais.
Ao transformar o submundo do jogo do bicho em um épico de máfia, Os Donos do Jogo não apenas conquistou o público, mas também elevou o padrão das produções nacionais no streaming. A primeira temporada foi apenas a aposta inicial. Agora, com a segunda confirmada, é hora de dobrar a aposta e esperar por mais uma rodada de traições, poder e muito, mas muito, “carioquês”. O jogo mal começou.
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