Personagens que odeiam o Natal: O Bonde do Grinch e a Revolta Geek
Pode admitir, nerd: quando chega dezembro, rola aquele sentimento misto. De um lado, a gente curte os presentes, a comida boa (menos a uva passas, né?) e a maratona de filmes clássicos. Mas, do outro, tem aquela overdose de felicidade comercial, filas intermináveis e músicas da Mariah Carey tocando em loop infinito que fariam até o Batman perder a paciência. É nessa hora que a gente se conecta com eles: os personagens que odeiam o Natal.
Aqui no “Telinha e Telona”, a gente sabe que nem tudo são flores (ou pisca-piscas) na cultura pop. Às vezes, o verdadeiro herói é aquele que tem coragem de dizer “basta!” para a hipocrisia festiva. Inspirados pelo “bonde” liderado pelo Grinch, mergulhamos fundo na psique dessas figuras ranzinzas para trazer um dossiê completo. Se prepare, porque a lista de personagens que odeiam o Natal é mais longa, complexa e divertida do que a lista de presentes do Homem de Ferro.
O General do Exército Anti-Natal: O Grinch
Não dá para começar essa lista sem falar do MVP, o camisa 10, o mestre supremo dos personagens que odeiam o Natal: o Grinch. Criado pelo Dr. Seuss em 1957, ele transcendeu a literatura infantil para se tornar um ícone do cinema, especialmente com a atuação lendária (e elástica) de Jim Carrey no filme de 2000.

Mas por que o Grinch lidera o ranking de personagens que odeiam o Natal? A análise superficial diz que é porque o coração dele é “dois tamanhos menor”. Mas, se a gente puxar a lupa da psicologia nerd, a buraca é mais embaixo. O Grinch é um estudo de caso sobre isolamento social e trauma. Ele não odeia o Natal apenas pela festa em si, mas pelo que ela representa: a alegria de uma comunidade (os Quem) que, historicamente, o rejeitou.
O barulho, a cantoria, o consumismo desenfreado da “Quemlândia”… tudo isso é gatilho para o nosso monstro verde favorito. O que torna o Grinch o rei entre os personagens que odeiam o Natal é a sua jornada de redenção, que não é sobre aceitar o Natal comercial, mas entender o senso de comunidade. Ainda assim, convenhamos: a fase ranzinza dele é muito mais divertida de assistir.
O Pai Fundador da Rabugice: Ebenezer Scrooge
Antes do Grinch pensar em roubar presentes, Ebenezer Scrooge já estava mandando um sonoro “Bah, Humbug!” (ou “Bah, que bobagem!” na nossa terrinha) para quem ousasse lhe desejar boas festas. Protagonista de Um Conto de Natal (A Christmas Carol) de Charles Dickens, Scrooge é o arquétipo original de todos os personagens que odeiam o Natal que vieram depois.

Scrooge é a personificação do capitalismo frio e sem alma da Revolução Industrial. Para ele, o Natal é um prejuízo financeiro, um dia de inatividade produtiva. A influência dele é tão brutal na cultura pop que gerou um dos personagens mais amados da Disney: o Tio Patinhas (cujo nome original, vejam só, é Scrooge McDuck).
Diferente de outros personagens que odeiam o Natal, a motivação de Scrooge é puramente a avareza e a amargura de uma vida solitária focada no lucro. As visitas dos Fantasmas do Natal Passado, Presente e Futuro são basicamente uma sessão de terapia de choque sobrenatural. Sem Scrooge, não teríamos a base para entender por que tantos vilões e anti-heróis detestam essa data. Ele validou o “direito de ser ranzinza”.
Jack Skellington: Ódio ou Incompreensão?
Aqui entramos em uma área cinzenta e fascinante do debate sobre personagens que odeiam o Natal. Jack Skellington, o Rei das Abóboras de O Estranho Mundo de Jack, tecnicamente não odeia o Natal. Pelo contrário, ele fica obcecado por ele! Mas a execução… ah, meus amigos, a execução é um desastre digno de vilão.
Jack tenta sequestrar o feriado. Ele olha para o Natal com a lente gótica e macabra do Halloween. O resultado? Brinquedos que mordem, cabeças decepadas de presente e um Papai Noel sequestrado (ou melhor, “Papai Cruel”, como ele entende). Ele entra na lista de personagens que odeiam o Natal por associação, já que suas ações quase destroem a data.
A genialidade de Tim Burton aqui é mostrar como a apropriação cultural (sim, vamos problematizar!) sem entendimento pode ser catastrófica. Jack ama a estética, mas ignora a essência, tornando-se, acidentalmente, um dos maiores antagonistas que o Papai Noel já enfrentou.
O Lado Sombrio da Força Natalina: Vilões de Ação
Quando saímos das animações e entramos nos filmes de ação e HQs, a lista de personagens que odeiam o Natal ganha contornos mais violentos.
Hans Gruber (Duro de Matar)
Existe a eterna discussão: Duro de Matar é filme de Natal? A resposta é SIM, e Hans Gruber é o Grinch de terno caro. O vilão interpretado pelo saudoso Alan Rickman não está nem aí para o espírito natalino; ele usa a festa da firma no Nakatomi Plaza apenas como cobertura para seu assalto. Para Gruber, o Natal é apenas uma oportunidade tática. Ele entra no panteão dos personagens que odeiam o Natal pela frieza com que interrompe a celebração alheia para buscar seus títulos ao portador.
Pinguim (Batman: O Retorno)
Gotham City já é gótica por natureza, mas no Natal de Batman: O Retorno, o Pinguim (Danny DeVito) decide transformar a neve em pesadelo. Oswald Cobblepot foi rejeitado pelos pais justamente no Natal, jogado no esgoto como um presente indesejado. O trauma dele é direto e visceral. Entre os personagens que odeiam o Natal, o Pinguim é talvez o que tenha a motivação mais triste e vingativa. Ele quer sequestrar as crianças de Gotham para infligir a mesma dor que sentiu. Pesado, né?
Sitcoms e a Rabugice do Cotidiano
Às vezes, os personagens que odeiam o Natal são apenas pessoas normais (ou quase) que cansaram da pressão social. As séries de comédia nos deram representantes incríveis dessa categoria.
- Frank Costanza (Seinfeld): O homem, o mito, a lenda. Frank odiava tanto o comercialismo e a falsidade do Natal que criou sua própria festividade: o Festivus. “Um Festivus para o resto de nós!”, gritava ele. Com seu poste de alumínio (sem enfeites, porque enfeites distraem) e a tradicional “Sessão de Desabafos”, Frank é o padroeiro dos personagens que odeiam o Natal na vida real.
- Sheldon Cooper (The Big Bang Theory): Para Sheldon, o Natal é uma convenção social ilógica. A obrigação de dar presentes cria uma dívida social não solicitada que ele detesta. A abordagem dele é puramente analítica: por que celebrar uma data com origens pagãs (Saturnália) apropriada pelo cristianismo e depois pelo capitalismo? Sheldon representa o lado geek cético dos personagens que odeiam o Natal.
Papai Noel às Avessas: Willie T. Stokes
Se o Grinch é o anti-Natal fantasioso, Willie T. Stokes (Billy Bob Thornton) em Papai Noel às Avessas é a versão crua e adulta. Alcoólatra, depravado e ladrão de cofres, ele se veste de Papai Noel de shopping para roubar as lojas na véspera do feriado.

Willie é fundamental nesta lista de personagens que odeiam o Natal porque ele desconstrói a figura sagrada do bom velhinho. Ele é a antítese de tudo o que a data pregada pela Coca-Cola representa. Ver um Papai Noel bêbado, xingando e comendo restos de comida é chocante, mas estranhamente catártico para quem está cansado da “perfeição” natalina.
Krampus: O Terror do Natal
Não podemos esquecer das raízes folclóricas. Enquanto o Papai Noel recompensa os bons, o Krampus pune os maus. Ele é a sombra do Natal. Nos filmes recentes, como Krampus: O Terror do Natal, ele é invocado justamente quando as pessoas perdem o espírito natalino. Tecnicamente, ele é um dos personagens que odeiam o Natal “moderno”, vindo para punir a falta de união e a hipocrisia das famílias disfuncionais. Ele não odeia a data antiga, mas odeia o que nós fizemos com ela.
Por que amamos esses personagens?
Você já parou para pensar por que, mesmo sendo ranzinzas, nós adoramos esses personagens que odeiam o Natal? A resposta pode estar na nossa necessidade de equilíbrio.
A positividade tóxica do final de ano cansa. Somos obrigados a ser felizes, a gastar dinheiro que não temos e a conviver com parentes que evitamos o ano todo. Quando vemos o Grinch destruindo a árvore ou Frank Costanza gritando sobre seus problemas, sentimos um alívio cômico. Eles dizem e fazem o que, no fundo, muitos de nós gostaríamos de fazer depois da terceira piada do “pavê ou pacumê”.
Esses personagens funcionam como uma válvula de escape. Eles validam o nosso cansaço. E, na maioria das histórias, eles acabam encontrando um meio-termo (exceto talvez o Hans Gruber, que encontrou o chão). Isso nos dá esperança de que é possível sobreviver ao Natal do nosso próprio jeito, mesmo que seja assistindo Duro de Matar e comendo pizza fria.
Conclusão: O Espírito Natalino Geek
Seja você do time que monta a árvore em outubro ou do time que, como o Grinch, prefere ficar na sua caverna (ou quarto gamer) isolado, o importante é respeitar a vibe de cada um. A cultura pop nos ensinou, através desses personagens que odeiam o Natal, que a data não precisa ser perfeita como num comercial de margarina.
Ela pode ser caótica como em Gremlins (sim, o Stripe também odeia a ordem do Natal!), reflexiva como em Um Conto de Natal ou totalmente anárquica como em Papai Noel às Avessas. No fim das contas, o que une todos esses personagens — e nós, fãs — é a paixão por boas histórias.
Então, neste Natal, se você sentir o espírito de Scrooge baixando, não se culpe. Ligue a TV, coloque o seu filme anti-natalino favorito e celebre o fato de que, no Telinha e Telona, tem espaço para todo mundo: dos elfos saltitantes aos vilões rabugentos. Feliz Natal (ou não)!
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