Stranger Things: O turismo geek explode antes da temporada final
Se você achava que a única viagem possível para o Mundo Invertido era através da sua tela da Netflix (ou talvez caindo em algum portal pegajoso no teto do seu trailer), pense de novo. A febre por Stranger Things atingiu um novo patamar, e não estamos falando apenas de teorias malucas no Reddit ou de cosplay na CCXP. Estamos falando de colocar o pé na estrada, ligar o Running Up That Hill no último volume e ir, fisicamente, para onde tudo aconteceu.

Com a reta final da saga dos irmãos Duffer batendo à nossa porta, os fãs brasileiros decidiram que maratonar não é o suficiente: é preciso vivenciar. Uma pesquisa recente revelou que a busca por destinos que serviram de cenário para a série disparou, provando que o hype para a quinta temporada é, literalmente, uma jornada. Prepare sua bicicleta, pegue seus waffles e vamos entender esse fenômeno.
O Fenômeno “Set-Jetting”: Do Sofá para o Aeroporto
Você pode nunca ter ouvido o termo “Set-Jetting”, mas se você é um nerd de carteirinha, provavelmente já sentiu vontade de praticá-lo. Trata-se da tendência de turismo motivada por locações de filmes e séries. E, vamos ser sinceros, poucas produções recentes têm uma atmosfera tão convidativa (tirando a parte dos monstros devoradores de gente) quanto a de Stranger Things.

De acordo com dados levantados pela Hoteis.com, os brasileiros estão liderando essa expedição rumo à nostalgia oitentista. A pesquisa aponta um aumento massivo no interesse por cidades americanas que, na ficção, abrigam as aventuras de Eleven, Mike, Dustin e Lucas.
O relatório destaca que essa tendência gerou cerca de US$ 8 bilhões para o setor de turismo apenas nos EUA. Mas o dado que faz nosso radar geek apitar é este: 80% de aumento no fluxo de brasileiros buscando Atlanta, na Geórgia. Por que Atlanta? Porque, meus amigos, é lá que a mágica acontece. Embora a placa de “Bem-vindos a Hawkins” diga que estamos em Indiana, a maior parte das filmagens rola no estado dos pêssegos.
Onde Fica a Verdadeira Hawkins de Stranger Things?
A geografia de Stranger Things é um personagem à parte. A cidade fictícia de Hawkins, em Indiana, é aquele típico subúrbio americano onde nada acontece até que tudo acontece. Mas se você pegar um mapa de Indiana, vai ficar rodando em círculos.
A produção da série utiliza diversas cidades pequenas nos arredores de Atlanta para compor o visual icônico da série. E é aqui que a nossa pesquisa expande o que o material original nos contou. Se você está planejando sua própria peregrinação geek, aqui estão os hotspots que você precisa conhecer:
- O Centro de Hawkins (Jackson, Geórgia): A cerca de uma hora de Atlanta, a pequena cidade de Jackson é o coração da série. Lá você encontra a biblioteca pública, o cinema e a loja de departamentos Melvald’s (onde Joyce Byers trabalhava). Caminhar por lá é sentir que o Demogorgon pode virar a esquina a qualquer momento.
- Starcourt Mall (Duluth, Geórgia): O shopping colorido e neon da terceira temporada não foi CGI. As filmagens aconteceram no Gwinnett Place Mall, um shopping real que estava semi-abandonado e foi reformado pela Netflix para ter aquela vibe gloriosa de 1985. Infelizmente, o set foi desmontado, mas a estrutura externa continua sendo um ponto de peregrinação.
- A Casa Creel (Rome, Geórgia): O cenário aterrorizante da quarta temporada, lar do jovem Henry Creel (e futuro Vecna), é uma mansão vitoriana real chamada Claremont House. Ela fica na cidade de Rome e, acredite, é tão imponente e assustadora ao vivo quanto na TV.
- Stone Mountain Park: Lembra das cenas tensas dos garotos caminhando sobre os trilhos de trem na floresta? Muitas dessas sequências externas, que evocam a vibe de Conta Comigo, foram filmadas neste parque estadual próximo a Atlanta.
A busca por Indiana também cresceu, curiosamente, impulsionada por fãs puristas que querem visitar o estado que “espiritualmente” abriga a trama, mesmo que as câmeras não tenham rodado por lá. É o poder da narrativa de Stranger Things transcendendo a realidade física.
A Ansiedade pela 5ª Temporada e o Impacto no Turismo
Por que esse aumento repentino agora? A resposta é simples: o fim está próximo, e a ansiedade é o combustível do fã. A quinta e última temporada de Stranger Things promete ser um evento cultural sem precedentes na história do streaming, e ninguém quer ficar de fora.

O formato de lançamento desta temporada final é uma tortura calculada (obrigado, Netflix) para manter o hype nas alturas. O cronograma, que já está fazendo muito fã roer as unhas, é dividido em três partes estratégicas para dominar as conversas de fim de ano:
- Volume 1: Já disponível (os quatro primeiros episódios que servem para reintroduzir o caos).
- Volume 2: Chega como um presente de Natal, no dia 25 de dezembro. Serão três episódios para você assistir enquanto digere o peru e discute com o tio do pavê.
- Volume 3: O grand finale. O último episódio da série estreia na véspera de Ano Novo, 31 de dezembro.
Essa estratégia de lançamento não apenas segura a audiência, mas cria um senso de “evento ao vivo”. Viajar para as locações agora é uma forma de se conectar fisicamente com a história antes de dizer adeus a ela. É como ir a Meca antes do fim do mundo, só que com mais sintetizadores e monstros de CGI.
O Que Esperar do Final Épico?
Enquanto os fãs visitam a Geórgia tirando selfies na frente da escola Hawkins Middle School (que na verdade é a Patrick Henry High School, em Stockbridge), a cabeça está nas teorias sobre o desfecho.
A sinopse oficial e os eventos recentes nos lembram que o grupo original — Millie Bobby Brown, Finn Wolfhard, Noah Schnapp, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin e Sadie Sink — está diante do desafio definitivo. O Mundo Invertido não é mais um segredo; ele está vazando para a realidade.

A grande questão que move tanto as discussões online quanto esse turismo desenfreado é a conexão entre Will e Vecna. Desde a primeira temporada, Will foi o canal. Agora, na reta final, espera-se que ele seja a chave (ou a fechadura) para o fim do terror. Visitar as locações, para muitos, é tentar encontrar pistas no mundo real que os Duffer deixaram escapar.
Além disso, há o fator emocional. Stranger Things acompanhou o crescimento de uma geração e resgatou a infância de outra. Ver esses lugares de perto é uma forma de celebrar uma década de cultura pop que redefiniu o gênero de ficção científica e horror para a massa.
Dicas para o Viajante do Mundo Invertido
Se você foi contagiado por essa febre e quer fazer parte da estatística de brasileiros invadindo a Geórgia, aqui vai um mini-guia estilo Omelete para sua aventura não acabar em tragédia (ou sem dinheiro):
- Alugue um Carro: As locações são espalhadas. Jackson, Rome e Duluth não são vizinhas. Você vai precisar de um carro para fazer o tour completo. Prepare uma playlist com The Clash, Metallica e Kate Bush para a estrada.
- Respeite as Propriedades: Muitas casas, como a dos Wheeler e a dos Sinclair, são residências privadas reais. Nada de invadir o quintal alheio gritando pela Eleven. Tire fotos da calçada.
- Vá além de Stranger Things: A Geórgia se tornou a “Hollywood do Sul”. Além da série da Netflix, produções da Marvel (como Vingadores: Ultimato) e The Walking Dead foram filmadas na região. O turismo geek ali é um prato cheio.
- Prepare o Bolso: O dólar não está fácil, e a pesquisa da Hoteis.com mostra que a demanda aumentou, o que pode encarecer a estadia. Planeje com antecedência, de preferência antes do lançamento do Volume 3, quando o hype deve atingir a estratosfera.
Conclusão: O Legado de Hawkins
O aumento na busca por destinos inspirados em Stranger Things é mais do que um dado estatístico de turismo; é um testamento do poder da narrativa. Quando uma história é bem contada, ela deixa de existir apenas na tela e passa a ocupar o espaço físico, transformando cidades comuns em marcos históricos da cultura pop.
Seja você um fã que vai pegar o avião para Atlanta amanhã ou alguém que vai viajar apenas através do controle remoto no dia 25 de dezembro, o sentimento é o mesmo: pertencimento. A série nos ensinou que “amigos não mentem”, e a verdade é que vamos sentir uma saudade imensa de Hawkins.
Então, aproveite o momento. Maratone, teorize, viaje se puder. Porque quando o relógio bater meia-noite no dia 31 de dezembro e o último episódio terminar, Stranger Things terá concluído sua jornada na TV, mas continuará viva em cada esquina de Jackson, Geórgia, e na memória de cada fã que ousou enfrentar o escuro.
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