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Superman: O Filme – O Voo que Salvou a Warner ou um Prejuízo Disfarçado de Sucesso?

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Superman: O Filme – O Voo que Salvou a Warner ou um Prejuízo Disfarçado de Sucesso?

Para gerações de fãs, Superman: O Filme de 1978 é a definição de um sucesso monumental. Foi o filme que nos fez acreditar que um homem podia voar, estabeleceu o padrão para todos os futuros filmes de super-heróis e transformou Christopher Reeve em um ícone imortal. Com uma bilheteria mundial de mais de US$ 300 milhões na época – um número astronômico para os anos 70 –, a percepção geral sempre foi a de um triunfo financeiro retumbante para a Warner Bros. No entanto, uma análise mais profunda dos bastidores de Hollywood revela uma história muito mais complexa, uma que envolve contabilidade criativa, contratos obscuros e uma pergunta que assombra a indústria até hoje: o filme realmente deu lucro?

image-191-1024x538 Superman: O Filme - O Voo que Salvou a Warner ou um Prejuízo Disfarçado de Sucesso?

A resposta, surpreendentemente, é um “depende de para quem você pergunta”. E no centro dessa polêmica está uma prática infame conhecida como “Contabilidade de Hollywood”. Para entender o caso, precisamos voltar à estrutura do acordo original. A produção do filme foi iniciada pelos produtores Alexander e Ilya Salkind, que garantiram os direitos do personagem e começaram a desenvolver o projeto. Com os custos saindo do controle, eles buscaram um grande estúdio para distribuição, e a Warner Bros. entrou no jogo, mas com um acordo extremamente vantajoso para si mesma.

A Magia (e a Maldição) da Contabilidade de Hollywood

O contrato estipulava que a Warner Bros. receberia uma porcentagem significativa da receita bruta de bilheteria antes que qualquer outra despesa fosse considerada. Além disso, o estúdio podia cobrar taxas de distribuição, marketing e outras despesas administrativas que, na prática, eram infladas para garantir que o filme, no papel, permanecesse “no vermelho” (ou seja, com prejuízo) pelo maior tempo possível.

image-192-826x1024 Superman: O Filme - O Voo que Salvou a Warner ou um Prejuízo Disfarçado de Sucesso?

Por que um estúdio faria isso? A resposta está nos contratos de participação nos lucros. Pessoas-chave envolvidas na produção, como o diretor Richard Donner, o roteirista Mario Puzo e até mesmo os criadores do Superman, Jerry Siegel e Joe Shuster (após uma longa batalha legal), tinham direito a uma porcentagem dos lucros líquidos do filme. O lucro líquido é o que sobra depois que todas as despesas são pagas. Ao inflar artificialmente as despesas e garantir que a receita bruta fosse primeiro para seus próprios cofres, a Warner Bros. podia legalmente alegar que o filme, apesar de sua bilheteria gigantesca, ainda não havia gerado lucro líquido. Consequentemente, os pagamentos de participação a esses indivíduos eram adiados indefinidamente ou drasticamente reduzidos.

Essa prática, embora moralmente questionável, era (e ainda é) comum em Hollywood. Filmes que arrecadaram centenas de milhões de dólares, como Forrest Gump e O Retorno de Jedi, também enfrentaram alegações de que, contabilmente, não geraram lucro líquido por anos.

Então, a Warner Ganhou Dinheiro?

Sim, e muito. A Warner Bros. lucrou imensamente com Superman: O Filme. A questão não é se o estúdio ganhou dinheiro, mas sim como esse dinheiro foi distribuído e contabilizado. Através das taxas de distribuição, dos custos de marketing que eles mesmos gerenciavam e da prioridade na receita bruta, a Warner garantiu um retorno massivo sobre seu investimento. O filme foi, sem dúvida, um dos maiores sucessos financeiros da história do estúdio.

O “prejuízo” era uma construção contábil, uma ficção legal projetada para minimizar os pagamentos a terceiros. Para os produtores Salkind, que investiram o capital inicial, a situação era mais complexa. Embora também tenham ganhado muito dinheiro, a estrutura do acordo com a Warner limitou seu potencial de lucro em comparação com o sucesso estrondoso do filme. Foi essa frustração que os levou a produzir Superman II de forma mais independente e conturbada, resultando na infame demissão de Richard Donner.

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A história financeira de Superman: O Filme é uma lição fascinante sobre a indústria do entretenimento. Ela nos mostra que, por trás da magia e do heroísmo que vemos na tela, existe uma máquina de negócios implacável. O voo de Christopher Reeve pode ter inspirado milhões, mas também ajudou a encher os cofres da Warner Bros. de uma forma que deixou muitos dos criadores originais e colaboradores com uma fatia muito menor do bolo do que mereciam. O filme foi um sucesso para o público e um triunfo para o estúdio, mas para alguns dos envolvidos, a busca pelo lucro líquido foi sua própria kryptonita.

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Apaixonado por filmes, séries e cultura pop. No Telinha e Telona, compartilho análises, curiosidades e novidades do mundo do entretenimento de forma leve e descontraída.

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