Wicked: Parte 2 – Dorothy Aparecerá, Mas Não Como Você Espera, Confirma Diretor
No universo de Wicked, nenhuma sombra é tão longa e icônica quanto a da garotinha do Kansas com seus sapatinhos de rubi. A chegada de Dorothy Gale a Oz é o catalisador que precipita o clímax da história de Elphaba e Glinda, um evento que os fãs do musical e dos livros aguardam com uma mistura de ansiedade e curiosidade. Agora, o diretor Jon M.

Chu finalmente confirmou o que todos suspeitavam: sim, Dorothy aparecerá em Wicked: Parte Dois. Mas, em uma declaração que é pura provocação, ele acrescentou que sua presença será sentida “à distância” e de uma forma que o público talvez não espere.
Essa confirmação, embora pareça simples, é uma peça de informação crucial que nos dá uma visão profunda sobre a abordagem narrativa do filme. Chu não está apenas inserindo uma personagem famosa; ele está tecendo a mitologia de O Mágico de Oz na trama de Wicked de uma maneira respeitosa e artisticamente inteligente. A decisão de manter Dorothy “à distância” não diminui sua importância. Pelo contrário, a transforma em uma força da natureza, um furacão narrativo cuja chegada é sentida por todos, mas cujo ponto de vista nunca se torna o foco. Ela é o gatilho, não a protagonista, e essa distinção é a chave para entender como o final da saga de Elphaba será contado nas telonas.
A Sombra de Dorothy: Uma Força da Natureza, Não uma Personagem
A declaração de Jon M. Chu de que veremos Dorothy “à distância” é a pista mais importante. Isso significa que não devemos esperar que o filme mude seu foco para a jornada da garota do Kansas. A câmera não a seguirá pela estrada de tijolos amarelos. Não teremos longos diálogos com ela. A história pertence, e sempre pertencerá, a Elphaba e Glinda.
Então, como Dorothy aparecerá?
- Uma Presença Fantasmagórica: A abordagem mais provável é que veremos Dorothy como os outros personagens de Oz a veem: um boato, uma lenda instantânea, um evento inexplicável. Podemos ouvir sobre ela através de sussurros na Cidade das Esmeraldas. Podemos ver os noticiários do Mágico de Oz distorcendo sua chegada, talvez pintando-a como uma aliada da “Bruxa Má”. Podemos ver Elphaba, de seu castelo, observando através de uma bola de cristal as quatro pequenas figuras – uma garota, um espantalho, um homem de lata e um leão – caminhando em direção à Cidade das Esmeraldas.
- O Ponto de Vista de Elphaba: A chegada de Dorothy é, para Elphaba, a confirmação de seus piores medos e, ao mesmo tempo, a faísca de uma nova esperança. A casa que cai do céu e mata sua irmã, Nessarose (a Bruxa Má do Leste), é uma tragédia. Mas a garota que sobrevive e que agora possui os poderosos sapatos de prata (ou rubi, no filme de 1939) é uma variável que o Mágico não pode controlar. Elphaba pode ver em Dorothy uma aliada em potencial, uma força do caos que pode ajudá-la a expor o Mágico. Manter a câmera com Elphaba enquanto ela observa Dorothy de longe cria uma tensão imensa e mantém o foco emocional onde ele pertence.
- O Confronto Indireto: O clímax de Wicked envolve o confronto entre Elphaba e Dorothy no castelo. No entanto, mesmo no musical, a cena é contada do ponto de vista de Elphaba e Glinda. Dorothy é uma presença quase infantil e confusa, enquanto a verdadeira batalha emocional acontece entre as duas bruxas. O filme deve seguir essa linha. O famoso momento em que Dorothy joga um balde de água em Elphaba não será o clímax da luta de uma heroína contra uma vilã. Será o trágico e inesperado “acidente” que permite a Elphaba executar seu plano final, um plano que apenas Glinda entenderá.
Ao manter Dorothy “à distância”, Chu evita a armadilha de transformar Wicked: Parte Dois em um remake de O Mágico de Oz. Ele preserva a integridade da história de Wicked, usando os eventos do filme clássico como pano de fundo para o drama principal, e não o contrário.

A Importância dos Sapatos: Prata ou Rubi?
Um dos detalhes mais debatidos pelos fãs é a cor dos sapatos. Nos livros originais de L. Frank Baum, os sapatos eram de prata. Eles foram mudados para rubi no filme de 1939 para aproveitar a nova tecnologia Technicolor. O musical Wicked faz uma referência inteligente a isso, com Elphaba encantando os sapatos para que sua irmã, Nessarose, que usa cadeira de rodas, possa andar.
A escolha da cor no filme de Jon M. Chu terá um significado simbólico.
- Sapatos de Prata: Optar pela cor prata seria um aceno direto aos livros de Baum e uma forma de diferenciar sutilmente o universo de Wicked do filme de 1939. Seria uma escolha para os puristas da literatura.
- Sapatos de Rubi: Optar pela cor rubi, no entanto, seria uma jogada comercialmente mais inteligente e visualmente mais poderosa. Os sapatinhos de rubi são um dos objetos mais icônicos da história do cinema. Usá-los criaria uma conexão instantânea com a memória afetiva de bilhões de pessoas. Seria uma forma de dizer: “Sim, esta história se passa no mesmo universo daquele filme que você ama, mas agora você vai conhecer o outro lado da história”. Dado o apelo de massa do filme, a aposta mais segura é que veremos os icônicos sapatos vermelhos brilhantes.
Independentemente da cor, os sapatos serão o “MacGuffin” que move a trama da Parte Dois. Eles são a razão pela qual Elphaba captura Dorothy, não por maldade, mas em uma tentativa desesperada de recuperar a última herança de sua irmã.
O Que Isso Significa Para o Final de Elphaba e Glinda?
A chegada de Dorothy é o que força o ato final da amizade de Elphaba e Glinda. Com toda Oz caçando Elphaba, acreditando que ela quer machucar a “doce e inocente” Dorothy, Glinda é forçada a confrontar sua amiga uma última vez.
É neste confronto que a verdadeira magia de Wicked acontece. Elas cantam “For Good”, uma das canções mais emocionantes da história da Broadway, onde perdoam uma à outra e reconhecem o impacto profundo que tiveram na vida uma da outra. Glinda sugere que Elphaba fuja, mas Elphaba sabe que não há para onde ir.
A “morte” de Elphaba pelas mãos de Dorothy é, na verdade, um teatro. É um plano engenhoso para que o mundo acredite que ela se foi, permitindo que ela finalmente fique em paz e fuja com Fiyero (agora o Espantalho). A única pessoa que sabe a verdade é Glinda.
O final é agridoce. Glinda se torna a amada líder de Oz, mas precisa viver com a mentira e a dor de nunca mais ver sua melhor amiga. Elphaba consegue sua liberdade e seu amor, mas precisa abandonar tudo e todos que conheceu. A chegada de Dorothy não é o fim da Bruxa Má; é o catalisador para sua libertação, um sacrifício final que cimenta o vínculo eterno entre as duas bruxas.
A abordagem de Jon M. Chu para a aparição de Dorothy é a mais inteligente e respeitosa possível. Ele entende que a força de Wicked não está em recontar a história de Dorothy, mas em mostrar como os eventos daquela história foram, na verdade, as consequências de uma saga muito mais profunda, uma história de amizade, preconceito e amor que o Mágico de Oz nunca contou. Ao manter a garota do Kansas como uma figura periférica, ele garante que os holofotes permaneçam onde sempre deveriam estar: em Elphaba e Glinda, as duas amigas que, por se conhecerem, mudaram uma à outra, e a história de Oz, para sempre.
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