Wicked: Parte 2: O Final de Glinda, o Segredo do Grimmerie e o Adeus em Oz
Oz nunca mais foi a mesma depois que a poeira (ou melhor, o glitter) da primeira parte de Wicked assentou. Fomos deixados no clímax de “Defying Gravity”, com Elphaba (Cynthia Erivo) ascendendo aos céus, não como uma bruxa má, mas como uma rebelde com causa. Agora, a espera acabou e Wicked: Parte 2 chega para amarrar as pontas soltas, responder às perguntas que nos tiraram o sono e, claro, nos fazer chorar com “For Good”. A grande questão que paira sobre a Cidade das Esmeraldas é: o que realmente acontece com Glinda (Ariana Grande)? Entre segredos sussurrados e teorias que brotam mais rápido que papoulas no campo, uma pista inusitada pode ter entregue o ouro: um balde de pipoca.

Sim, você leu certo. Em uma reviravolta digna do próprio Mágico, um item de merchandising pode ter revelado um dos momentos mais sutis e emocionantes do filme. Mas, para entender esse quebra-cabeça, precisamos mergulhar fundo na Estrada de Tijolos Amarelos, desvendar os segredos do Grimmerie e entender o sacrifício que define a amizade mais icônica de Oz. Pegue sua varinha (ou seu cartão de crédito para o combo do cinema) e venha conosco desvendar o que espera por nós em Wicked: Parte 2.
O Balde da Discórdia: Como um Grimmerie de Plástico Revelou o Final de Glinda
No universo geek, aprendemos a nunca subestimar o poder dos colecionáveis. E, como um Mestre Jedi sentindo uma perturbação na Força, os fãs de Wicked detectaram algo grandioso em um simples balde de pipoca. A peça, com o formato do Grimmerie, o lendário livro de feitiços, não era apenas um recipiente para a sua guloseima cinematográfica. Era um oráculo.

A análise minuciosa de imagens desse balde revelou que, no final do filme, o livro se abre em uma página muito específica. Segundo traduções de fãs, o feitiço visível serve para “aliviar e acalmar a dor e o medo”. Essa revelação é a peça que faltava para entendermos a conexão final entre Elphaba e Glinda. Após Elphaba forjar sua própria morte “derretendo” com um balde d’água – uma cena clássica que todos conhecemos –, ela e Fiyero (agora o Espantalho) partem para viver uma vida longe dos olhos julgadores de Oz. Glinda, por outro lado, fica para trás, assumindo o poder e carregando o fardo da verdade.
É nesse momento de despedida silenciosa, quando Elphaba olha para trás no deserto, que a magia acontece. O feitiço do Grimmerie sugere que Elphaba, em um último ato de amizade profunda, lança essa magia para acalmar o coração de Glinda, para que ela não sofra com a falsa morte de sua melhor amiga. É um gesto que transcende a distância, uma prova de que a ligação entre elas é a verdadeira magia de Oz. O Grimmerie, agora nas mãos de Glinda, se iluminar nesse momento não é apenas um efeito especial bonito; é o eco de uma promessa.
Because I Knew You… I Have Been Changed For Good
Para entender a profundidade desse gesto final, é preciso falar sobre “For Good”. Essa não é apenas uma música; é a alma de Wicked. É o momento em que Elphaba e Glinda, antes de seu suposto último adeus, colocam as cartas na mesa e reconhecem o impacto indelével que uma teve na vida da outra. A letra é uma aula sobre amizade, perdão e transformação.

Frases como “Eu sei que sou quem sou hoje porque te conheci” resumem uma jornada que começou com rivalidade (“What Is This Feeling?”) e floresceu em um dos laços mais fortes da cultura pop. Elas admitem seus erros, perdoam uma à outra e aceitam que, como um cometa que muda a órbita de um planeta, suas vidas foram alteradas para sempre. Portanto, o final de Wicked: Parte 2 não é apenas sobre quem fica com o poder ou quem consegue escapar. É sobre como Glinda e Elphaba carregam pedaços uma da outra para o resto de suas vidas.
Glinda assume o governo de Oz, não mais como a garota superficial que só queria ser “Popular”, mas como uma líder forjada pela dor e pela amizade. Ela bane o Mágico e prende Madame Morrible, limpando a corrupção que Elphaba lutou para expor. Elphaba, por sua vez, finalmente encontra a paz, mas o faz sabendo que deixou um legado de bondade e verdade no coração da pessoa que mais importava. O feitiço para acalmar a dor de Glinda é a materialização da promessa contida em “For Good”: a de que, não importa onde estejam, a amizade delas deixou uma “impressão de mão em seus corações”.
Segredos e Feitiços: O Poder do Grimmerie em Wicked: Parte 2
O Grimmerie é muito mais do que um simples acessório ou um livro de feitiços qualquer. Ele é um artefato ancestral, um MacGuffin que move toda a trama de Oz. Criado pelos Sábios Mágicos de outrora, o livro contém feitiços em uma língua perdida, e a profecia dizia que apenas alguém com poder mágico inato poderia decifrá-lo. Esse alguém, claro, é Elphaba.

O Mágico de Oz construiu todo o seu reinado fraudulento fingindo ser capaz de ler o Grimmerie. Foi a habilidade natural de Elphaba que atraiu a atenção de Madame Morrible e a colocou no caminho que a transformaria em uma pária. No entanto, o poder do livro é perigoso e imprevisível. Um dos momentos mais trágicos da primeira parte é quando Elphaba, manipulada por Morrible, lê um feitiço que ela acredita que dará asas a um macaco para que ele possa voar, mas que na verdade transforma todos os macacos do palácio em espiões alados de forma dolorosa.

Esse evento é crucial, pois solidifica a reputação “perversa” de Elphaba, ao mesmo tempo em que a ensina sobre a responsabilidade de seu poder. Em Wicked: Parte 2, a posse do Grimmerie continua sendo central. É com ele que Elphaba realiza os feitiços que salvam a vida de seus amigos, mesmo que as consequências sejam transformadoras e, por vezes, trágicas. O livro não é inerentemente bom ou mau; ele é um amplificador de intenções, e nas mãos de Elphaba, torna-se uma ferramenta de resistência contra um regime opressor. O fato de Glinda terminar com o livro e ele se abrir para ela sinaliza uma mudança fundamental na personagem, legitimando seu novo papel como a verdadeira guardiã de Oz.
A Bruxa Boa e a Máquina de Propaganda de Oz
Um dos temas mais poderosos de Wicked é como a história é escrita pelos vencedores. Elphaba não nasce “má”; ela é transformada em uma vilã por uma campanha de difamação orquestrada pelo Mágico e por Madame Morrible. Qualquer ato de resistência ou bondade dela é distorcido pela máquina de propaganda de Oz, que precisa de um inimigo público para manter o povo distraído e sob controle.
Glinda, inicialmente, é uma peça voluntária nesse jogo. Como o rosto amado e “bom” do regime, sua popularidade ajuda a validar as mentiras do Mágico. No entanto, o arco de Glinda em Wicked: Parte 2 é sua dolorosa tomada de consciência. Ela percebe que a bondade que ela representa é uma farsa, uma ferramenta para oprimir os outros, incluindo sua melhor amiga.
Sua decisão de permanecer em Oz e governar é um ato de sacrifício. Ela aceita viver dentro da mentira que o povo acredita – que ela é a Bruxa Boa e que a Bruxa Má está morta – para poder, por dentro, desfazer o mal que o Mágico causou. Ela se torna a líder que Oz precisa, uma que entende que a verdadeira bondade não é sobre aparências ou aclamação, mas sobre fazer escolhas difíceis pela verdade, mesmo que ninguém mais a conheça. Como o diretor Jon M. Chu aponta, a questão final não é sobre o que Glinda faz, mas sobre as possibilidades que se abrem quando ela escolhe quem quer ser.
E o Espantalho, o Homem de Lata e a Bruxa do Leste?
A genialidade de Wicked está em como ela costura sua narrativa nos eventos que já conhecemos de O Mágico de Oz, dando novas e comoventes origens a personagens icônicos. A conclusão em Wicked: Parte 2 solidifica essas conexões de forma brilhante.
- Fiyero, o Espantalho: O príncipe despreocupado se torna um homem disposto a sacrificar tudo por amor. Quando é capturado pelos guardas do Mágico, Elphaba lança um feitiço para que ele não possa sentir dor, transformando-o no Espantalho que conhecemos. Sua “falta de cérebro” é, na verdade, uma bênção que o salva da tortura. No final, ele e Elphaba fogem juntos, um final feliz que a história original nunca nos contou.
- Boq, o Homem de Lata: O amável Munchkin, apaixonado por Glinda, tem um dos destinos mais trágicos. Em uma tentativa desesperada de conquistar seu amor, a irmã de Elphaba, Nessarose (a futura Bruxa Má do Leste), lança um feitiço que encolhe seu coração. Para salvá-lo, Elphaba o transforma no Homem de Lata, mas o feitiço o deixa permanentemente sem coração.
- Nessarose, a Bruxa Má do Leste: A irmã cadeirante de Elphaba se torna uma líder amarga e controladora. Os famosos sapatos de rubi (ou prateados, no livro) foram um presente de Elphaba para ajudá-la a andar. Sua morte, esmagada pela casa de Dorothy, é o catalisador que traz a garota do Kansas para o centro da história, um evento que, em Wicked, foi secretamente orquestrado por Madame Morrible para atrair Elphaba.
O Gran Finale de Uma Saga Épica
A decisão de dividir Wicked em dois filmes, segundo o diretor Jon M. Chu, foi essencial para fazer justiça à riqueza da história. Enquanto a primeira parte estabeleceu o conto de fadas e a amizade, Wicked: Parte 2 mergulha nas consequências sombrias e na complexidade política da trama. O resultado é uma conclusão que não apenas honra o musical amado, mas o expande, dando profundidade emocional e um escopo épico que só o cinema pode oferecer.
No final, Wicked: Parte 2 nos deixa com uma verdade poderosa: ser “bom” ou “mau” é uma questão de perspectiva. A história nos desafia a olhar para além dos rótulos e a entender as pessoas por trás deles. Elphaba nunca foi a vilã que Oz pintou, e Glinda se tornou a heroína que precisava ser. Sua história de amizade, sacrifício e transformação é o que, no final das contas, nos muda “para sempre”. E isso é uma magia que nenhum feitiço do Grimmerie pode replicar.
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